Manifestantes protestaram dentro de plenário do encontro
No primeiro dia da 6ª Conferência Ministerial da Organização Mundial
do Comércio (OMC), os países pobres e em desenvolvimento resolveram
reunir todas as suas forças para tentar dar um impulso à Rodada Doha –
surge a possibilidade de mais um grupo para a lista de "G", talvez
um "G100+".

A convite do Brasil e da Índia, que fazem parte do G20, mais de 100
países dos grupos G33 (que na realidade reúne 45 nações), União
Africana, Grupo do Caribe (Caricom) e Países da África, Caribe e
Pacífico (ACP) se encontraram para analisar a possível formação de um
grupo que tenha maior poder de pressão e se apresente como a voz
ativa dos países pobres e em desenvolvimento.

"Eu não sei se isso terá um resultado imediato para Hong Kong, mas eu
acho que será uma coisa positiva", comentou o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim.

"Eu sei que há diferenças entre os grupos, mas um dos objetivos é,
exatamente, listar essas diferenças, não escondê-las, e tentar
encontrar meios criativos para que, entre nós, possamos nos ajudar,
não permitindo a manipulação por outros."

Quando jornalistas perguntaram sobre quem estaria exercendo essa
manipulação, Amorim disse: "Não estou acusando ninguém. Em toda
negociação acontece isso".

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, critica
a proposta do G20 para a abertura na área agrícola dizendo que ela
vai prejudicar os países que gozam de uma acesso preferencial ao
mercado europeu.

Maioria

Cada grupo manterá sua "individualidade" e serão discutidos todos os
temas da Rodada Doha, em especial, desenvolvimento.

"O fato é que os países em desenvolvimento, que são a maioria dos
membros da OMC, se encontram, nessas negociações, bastante
desestruturados e sem capacidade negociadora para sozinhos serem
influentes no processo", observou Flávio Damico, chefe da Divisão de
Agricultura do Itamaraty.

Mas os interesses são tão diferentes em meio a essa centena de países
que nenhum grupo consegue responder por todos – o G20 está focado na
agricultura, enquanto ao ACP, por exemplo, interessa o acesso
preferencial dos seus produtos no mercado europeu.

"Obviamente não posso dizer que isso possa resultar em uma
convergência imediata porque existe a percepção que esses interesses
são diversificados", afirmou Damico.

O Brasil considerou uma vitória diplomática o fato da sua convocação
ter sido atendida por todos os ministros dos grupos no primeiro dia
da reunião da OMC. (BBC)


 

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