Diário de Viagem

Ushuaia é ali

De Rio Grande a Ushuaia foi um pulo, tanto o desejo de chegar àquele ponto do continente chamado de “Fin Del Mundo”.
Ushuaia (aqui a pronúncia é Ussuaia) era um pacato vilarejo com 10 mil habitantes até a década de 70. Ostentando o slogan de “Cidade do Fim do Mundo”, hoje com mais de 60 mil habitantes, é um centro turístico com boa infraestrutura em hotéis, restaurantes e comércio, dando suporte ao maravilhoso cenário que a natureza privilegia os visitantes. É a cidade mais austral do planeta, localizada ao sul da Terra do Fogo, sendo a porta de entrada para a Antártida. No inverno, o forte apelo turístico fica por conta das inúmeras estações de esqui. Do porto de Ushuaia partem as excursões marítimas para a Antártida, a Patagônia Chilena e ilhas do Atlântico sul. O Parque Nacional Terra do Fogo e o Canal de Beagle são atrativos naturais dessa região. Por água pode-se percorrer os estreitos golfos e canais marítimos, chamados fiordes, exibido paisagem de impressionante beleza, similares ao que se vê na Escandinávia.

 
Fiordes são enseadas compridas e profundas, de águas salgadas, que se estendem por muitos quilômetros pelo interior do continente. Os fiordes são formados pela ação da água dos glaciares que descendo da cordilheira, cavaram fendas profundas entre as montanhas, em direção ao litoral. O mar inundou esses vales criando recortes sinuosos que só são acessíveis por mar. Fora da Escandinávia, pode-se admirar os fiordes partindo de Puerto Montt, passando pela grande ilha de Chiloé e Golfo do Corcovado, entrando mais ao sul nos canais do Parque Nacional Bernardo O`Higgins, até Puerto Natales. Os fiordes são uma reserva de diversificada forma de vida: as montanhas cobertas de neve no inverno a partir de outubro revestem-se de flores só vistas nessas regiões pouco exploradas pelo homem. É um cruzeiro que se pode fazer a bordo de navio da Navimag, a empresa que nos levou de Puerto Montt até Chaitén.
 
Em Ushuaia encontramos hotéis lotados, mas o eficiente serviço da Secretaria de Turismo de Ushuaia (Av. San Martín 647), instalado em um antigo casarão típico, localizou vagas em num pequeno, mas aconchegante hotel. Aproveitamos o domingo para comprar souvenires, além de saborear parrilhadas e carneiro assado, prato típico da região.
No dia seguinte percorremos Parque Nacional Terra do Fogo, passeio obrigatório para quem vai a Ushuaia, foi fundado em 1.960 e abrange 63.000 hectares Extensas passarelas de madeira nos levam para um contato direto com a bela paisagem austral, principalmente a que envolve a Bahia Lapataia, ponto final da ruta 3, ao longo de 3.063 km que, segundo o marco, situa-se a exatos 17.848 km... do Alasca! O Parque abriga também uma estação do Trem do Fim do Mundo que aproveita uma ferrovia construída pelos presidiários há um século, para trazer lenha dos bosques gelados. Os encarregados pelo passeio de 8 km da linha férrea, vestem-se como os presidiários de antigamente, com macacões listrados.
Deixamos os carros num lava-jato, que teve muito trabalho para tirar o pó fino do rípel, que penetra por todos os poros e afeta inclusive o funcionamento de partes elétricas. Do porto partimos em um barco que percorre o Canal de Beagle, nome em homenagem ao navio no qual viajou o cientista inglês Charles Darwin, o autor da teoria da evolução. No Canal, inúmeras ilhotas como a Ilha dos Pássaros permite observar aves típicas da região como os Cormoranes Rockeros, um tipo de gaivota. Entre rajadas de vento frio, num ambiente inóspito, é incrível constatar como vida se manifesta, em suas mais diversas formas. A Ilha dos Lobos mostra leões marinhos, ali também chamados de lobos, simpáticos e pachorrentos, expostos ao sol: alguns machos enormes, cercados de várias fêmeas, emitem um forte grunhido que chama a atenção. La Pinguinera, como o nome sugere, é refúgio para esses graciosos animais. E a Ilha H exibe o último farol do continente argentino. Aqui fizemos uma caminhada, admirando a espantosa diversidade de vida vegetal, de cores surpreendentes, e a placa que nos recepciona com a frase “Bienvenido al Culo Del Mundo”. Não é possível perder um programa como esse.
A temperatura se altera a cada momento e o período da tarde se estende até as 23 hs no verão (meia-noite no Brasil), dando tempo para mais uma parrilhada acompanhada de vinho ou de uma deliciosa cerveja local. Não deixe de experimentar o carneiro assado à moda fueguina, corderito al assador, exibido em todos os restaurantes do gênero, colocado ao lado do fogo e não sobre ele.
No dia seguinte visitamos o Museu Marítimo de Ushuaia, instalado no antigo Presídio Militar, que começou a funcionar em 1896 e foi desativado e transferido para o Ministério de Marinha em 1950. Em uma ala, o Museu do Presídio mostra nos longos corredores as pequenas celas com bonecos de cera, representando antigos prisioneiros e outros no papel de guarda penitenciário. Em outro pavilhão funciona o Museu Marítimo exibindo miniaturas de navios que por lá passaram e relato de expedições exploradoras do passado. Outro setor é uma mostra da fauna austral, com animais empalhados como o quase extinto pingüim rei que chega a medir perto de 1,5 mt. Apresentam também objetos dos colonizadores e dos indígenas, numa reprodução dos hábitos de vida dos nativos fueguinos.
Maravilhados com tudo o que vimos, iniciamos nossa viagem de volta, pela orla do Atlântico.
( Rio Grande/Ushuaia: 219km).

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