Diário de Viagem

Foz do Iguaçu/Santa Fé

Já em território argentino, seguimos pela ruta 12, de Foz do Iguaçu até a altura da cidade de Pousadas, quando desviamos para a ruta 14, em direção a San José e Santo Tomé. Essa região abrange a “Reserva Florestal de Puerto Iguazu” que segue margeando o rio Paraguai. Rodovia asfaltada, de pista simples, bem sinalizada, com “tercera trocha” (pista) em vários pontos e bastante policiada (só trafegue com os faróis acesos! Atenção às mudanças no limite de velocidade de 100 para 60 Km/hora!).

 
Tomamos todos os cuidados para evitar multas em território argentino: retiramos os engates traseiros dos veículos, portamos dois triângulos de sinalização, cambão (exigência para veículos 4x4), Carta Verde, carteira internacional de motorista, etc. Enfim, procuramos nos cercar de todos os cuidados para evitar a já conhecida investida da polícia rodoviária argentina diante de estrangeiros trafegando por lá. Mas não teve jeito, fomos barrados e ameaçados de não podermos seguir viagem, depois de checarem todos os itens já citados. Desta vez a alegação foi de que o guincho das Land Rover e a grade frontal da L200 estavam se projetando alem do para-choque dianteiro, contrariando a legislação (sic). Não tente argumentar e se quiser continuar o programa, negocie logo o suborno, que em nosso caso representou 50 dólares para cada veículo e o compromisso de que passariam um radio para os demais postos e não seríamos mais barrados em território argentino. Cumpriram com a palavra: feito o acordo, não fomos mais barrados em todo o percurso...
 
Na altura da localidade de Yapeyu atravessamos uma Barreira Sanitária do “Programa Nacional de Prevencion y Erradizaccion del Picudo del Algodonero”. Cobra-se um “valor por sevicio” de $1,50 (peso argentino) com direito a se obter um certificado de “desinfectacion” do veículo que não foi visto, nem de longe, pelo funcionário que se manteve trancado na guarita. Se depender de barreiras sanitárias desse tipo, os produtores de algodão, inclusive os brasileiros, que se cuidem!
Da ruta 14 na Província de Corrientes, continuamos pela ruta 127, Província de Entre Rios, regiões de baixa altitude, que oferecem um visual limpo, de estrada com retas sem fim e sem atrativos paisagísticos. Essas duas províncias, juntamente com a de Córdoba compõem a “Región Centro” da Argentina.
Depois de 700 km rodados no país, o alternador da Land do Telles “pifou” e daí seguimos em comboio até a cidade de Santa Fé, na província do mesmo nome, com o veículo guinchado pelo cambão num percurso de 350 km. Tarefa difícil...
(Foz do Iguaçu/Santa Fé: 1.066 km)

 
Santa Fé é uma cidade porto, localizada no coração da hidrovia Paraguai-Paraná (Km 584 do Rio Paraná), sendo águas acima, o último Porto de ultramar apto para operações com translado para o oceano. Sua posição privilegiada o coloca geograficamente como o centro obrigado de transferência de cargas dos países localizados na Hidrovia, como é o caso do Brasil. Cidade com mais de 4 séculos, ostenta belas construções preservadas, embora muitas relegadas ao abandono. Circulando pela Calle 9 de julho encontramos movimentados cafés, com elegantes e belas mulheres. Mas a frota de veículos em circulação está em péssimo estado – rodam verdadeiras peças de museu, batidos, enferrujados. Depois, observamos que essa é a regra por todo o interior do pais, com pouca diferença para melhor na capital

Todos os direitos reservados -- LoucosPorNatureza 2005
WebDesigner

EXPEDIÇÃO PATAGÔNIA 2005