Diário de Viagem

Cheia de curvas e belezas naturais, as paradas são obrigatórias para fotografar e filmar. Os Glaciares já aparecem no alto da Cordilheira dos Andes e os rios de degelos, com águas transparentes, cruzam a estrada a todo momento.
Assim chegamos a Coihaique onde pernoitamos.
Agradável cidade de 37 mil habitantes é a capital da XI Região do Chile, cercada de cascatas, lagoas e rios piscosos. Mas que marcou nossa viagem por uma particularidade no dia seguinte: fui fazer troca de óleo num posto, o Benetti e o Telles também saíram para abastecer, o Zé Maria perdeu o contato com os demais, o radio PX dos veículos não se conectaram e acabamos por nos separar.
A partir dali alteramos nossos planos, pois em nossa planilha de viagem havia várias opções de percursos. O Telles com Rafael e o Benetti com Rays seguiram juntos em direção à fronteira da Argentina, passaram pela cidade de Perito Moreno tomando a ruta 40 em direção a El Calafate. Optei com o Luis Fernando por continuar pela ruta 7,

contornando o grande lago que leva o nome de Gral. Carrera do lado chileno e Lago Buenos Aires do lado argentino. Nesse trajeto encontramos o Zé

Maria e seus filhos abastecendo o estômago à beira da estrada e a partir daí seguimos juntos. A paisagem no entorno do lago é de uma beleza desconcertante, e a compulsão por fotografar, inevitável. Fizemos curta travessia do lago em El Maiten, passamos por Puerto Guadal e em Chile Chico pernoitamos antes de cruzar a fronteira com a Argentina. Curiosamente reencontramos nessa pequena vila o divertido grupo de italianos que confraternizamos na travessia do Golfo de Ancud.
Em território argentino seguimos para a legendária ruta 40, estrada que tem seu início em Mendoza e segue para o sul em direção aos Glaciares e depois para Rio Gallegos no Atlântico, numa extensão de 3115 km. Estrada com piso de ripio, e repetidas lombadas construídas pelo vento. Paisagem de infinitas planícies, tímidas montanhas que não passam de 1.000 metros de altitude. Terra varrida por um fortíssimo vento oeste, gerado no Oceano Pacífico, que despeja a umidade ao atingir a Cordilheira dos Andes,provocando um clima frio e seco naqueles pampas.

O vento só não arranca a resistente vegetação rasteira, que serve de alimento para guanacos selvagens
No trajeto até El Calafate o piso de rípio, apresenta boas condições de tráfego, mas o vento cortante não raro desestabiliza veículos, principalmente os não traçados, sendo freqüente a ocorrência de acidentes com capotamento. Na ruta 40, ao passarmos por um lugarejo chamado Bajo Caracoles tomamos conhecimento de que nossos companheiros Telles/Rafael e Benetti/Rays pernoitaram ali. Os adesivos da Expedição Patagônia e Loucos Por Natureza foram facilmente identificados pelos locais. Seriam encontrados logo adiante.
Foi assim que passando pelo Lago Viedma chegamos a El Calafate, junto ao Lago Argentino. E na praça central da cidade, Zé Maria e eu estacionamos nossos veículos junto aos do Telles e Benetti, marcando o reencontro do grupo, 1143 km depois da separação.
(Coihaique/El Calafate: 1143 km).

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EXPEDIÇÃO PATAGÔNIA 2005