Diário de Viagem

A volta: de Ushuaia à Península Valdes

Tomamos a ruta 3, rodovia asfaltada que liga Buenos Aires a Ushuaia, parando em Rio Grande, onde encontramos hotéis lotados, o que nos obrigou a dormir mal numa péssima pousada.
No dia seguinte continuamos em nosso caminho de volta a San Sebastian, e mais uma vez atravessamos a fronteira para o Chile, com os mesmos rituais burocráticos. Em estrada de rípel chegamos ao Estreito de Magalhães, nova travessia de balsa e depois de 40 km atravessamos a aduana para a Argentina. Essa bateu o recorde em burocracia e fila interminável, onde ficamos retidos por mais de uma hora.
Continuamos até Rio Gallegos, uma bela cidade com todos os hotéis lotados, mas para não repetir a experiência do dia anterior, encaramos mais 356 km pela ruta 3, até Puerto San Julian. Essa agradável cidadezinha do litoral argentino, proporcionou ao grupo um jantar com o melhor peixe de toda a viagem e um merecido descanso numa confortável pousada.
No dia 13 de janeiro rodamos mais 160 km pela ruta 3 para atingir o Parque Nacional Bosques Petrificados. O bosque de 45 mil hectares está situado a noroeste da Província de Santa Cruz, Argentina. Há 150 milhões de anos, sob um clima quente e úmido, uma intensa atividade vulcânica fez com que o extenso bosque de araucárias que dominava a região, sucumbisse sepultado por lavas. Cobertas pelas cinzas vulcânicas, as árvores foram preservadas por milênios, enquanto as águas das chuvas, atravessando a cinza e carregando sais de silício, penetravam nos tecidos vegetais, substituindo-os por matéria mineral. Na recepção, o “guardaparque” responsável, orienta os visitantes sobre o trajeto da caminhada pelo bosque, fornecendo folhetos ilustrativos. A estepe patagônica produz uma paisagem inóspita, onde a vegetação mal cobre o solo. No Parque Nacional Bosques Petrificados pudemos admirar o resultado do trabalho de milhões de anos em inúmeros troncos de coníferas fossilizadas, alguns com 35 m de comprimento por 3 m de diâmetro.
Seguimos pela ruta 3, com uma parada em Caleta Olívia. A dupla Benetti/Rais havia substituído uma lâmpada do farol, sem sucesso, e resolveram buscar ajuda de um eletricista. O profissional demorou dois minutos para encaixar a lâmpada que eles vinham tentando a tempo, rodando com o receio de serem multados. O que provou que os dois, como eletricistas/mecânicos, são ótimos médicos...
Continuamos contornando o litoral, em direção a Comodoro Rivadavia, por uma asfalto trepidante. Como todo solo da região, as praias também são puro cascalho. Mas isso não impede que a população aproveite o verão para se bronzear.
Na fronteira das províncias de Santa Cruz e Chubut fomos barrados num posto policial que providenciou um “registro” dos veículos; não entendemos bem com que finalidade. Nosso temor era de uma nova “mordida” da policia rodoviária Argentina, o que não aconteceu. Rodamos mais 345 km para chegar à estrada que dá acesso à Península Valdes.

 

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