A SERRA DA CANASTRA

A Serra da Canastra representa uma região privilegiada para o ecoturismo. É o berço nascente do São Francisco, o rio de Integração Nacional, o Velho Chico. E bem próximo de sua nascente é que se encontra uma das mais belas cachoeiras do Brasil, a Casca D´Ánta, com 200 metros de queda. Nessa área nasce ainda o Rio Araguari que vai formar a bacia do Paraná, o que faz dessa região um verdadeiro berçário de duas das mais importantes bacias hidrográficas do pais.
E tudo protegido pelo Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972 com 71.525 hectares em região alta e plana, abrangendo áreas dos municípios de São Roque de Minas, Sacramento e Delfinópolis, no sudoeste de Minas Gerais. Mas sua área ecoturística representa mais de 200 mil hectares compreendendo ainda outros municípios: Vargem Bonita, São João Batista do Glória e Capitólio. Essa seria a área original a ser desapropriada, de acordo com o decreto que instituiu o Parque, compreendendo os maciços das Serras da Canastra, Sete Voltas e do Chapadão da Babilônia, circundando o Vale dos Cândidos. A área foi reduzida em razão dos custos de desapropriação, mas desde 2001 voltou a ser objeto de revisão. .
O Parque é cortado por estrada de 60 km, com várias vias secundárias que dão acesso a atrações como a nascente do rio São Francisco e a parte alta da Cachoeira Casca D’Anta, o Retiro de Pedras (área da primeira fazenda instalada na região), a parte alta da cachoeira dos Rolinhos.
Essa topografia com inúmeras nascentes e cachoeiras deslumbrantes faz da região o paraíso para a prática de turismo ecológico e esportes radicais como rapel, arborismo, pêndulo, trekking. Quem já percorreu as trilhas dessa região em veículos 4x4 ou motos, saboreando as belezas naturais das montanhas que atingem 1.500 metros na Serra Brava, certamente terá visto as mais belas paisagens do Brasil. A vegetação é de campos rupestres coberto de flores delicadas, com manchas de cerrado e matas ciliares e também exuberante floresta atlântica. São mais de 6 mil espécies vegetais, o que fez Saint-Hilaire (1779-1853) o pioneiro do ecoturismo científico no Brasil registrou em seu livro "Viagem às nascentes do Rio São Francisco e Província de Goiás" publicado em Paris em 1847: “... não vi em nenhuma outra parte uma variedade tão grande de plantas quanto na Serra da Canastra. (...) Em pouco tempo recolhi 50 espécies de plantas que ainda não tinha visto nessa viagem, sendo que várias eram para mim inteiramente desconhecidas”.
A Fauna conta com mais de oitocentas espécies de aves e quase duzentas espécies de mamíferos, números superiores aos encontrado no Pantanal. Reúne várias espécies ameaçadas de extinção, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará e o veado-campeiro, que podem ser vistos com relativa facilidade Outros animais também ameaçados são a lontra e o macaco sauá, além do tatu-canastra, o raríssimo pato-mergulhão e a onça parda. Não é difícil deparar com ema, seriema, cachorro-do-mato e gavião carcará. Nas matas, o tucano-açu, jacu, urubu-rei, muito mico-estrela, quatis e canários-da-terra. O observador atento e silencioso volta para casa com fotos incríveis.
Os costumes preservam a tradição rural de Minas, a arquitetura utiliza-se das pedras abundantes na região, não raro empilhadas sem cimento. Vê-se ainda o carro de boi no trabalho e em regiões mais isoladas, curiosidades como forno feito de cupinzeiro onde se assa saboroso pão-de-queijo, feito com ovos caipira, polvilho e o famoso queijo da canastra. É passeio para não esquecer.

ATRAÇÕES PARA QUEM VISITA A SERRA DA CANASTRA
- NO PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CANASTRA:
Nascente do Rio São Francisco – localiza-se num belíssimo vale a 1.300 metros de altitude, próximo à estrada que corta o Parque. Aqui, no meio de um charco, o Velho Chico inicia sua trajetória de 3 mil km. A famosa oração de São Francisco está gravada numa placa de granito.


Cachoeira Casca D’Anta – A cachoeira pode ser vista tanto da parte alta como por baixo, através de estradas de terra, de acesso fácil. No alto, 14 km após a nascente, forma-se um cânion com várias quedas e piscinas naturais nas pedras, águas transparentes, de rara beleza. De um mirante pode-se ver a queda principal da cachoeira e, 300 metros abaixo, uma enorme piscina e o curso do rio que segue sua trajetória rumo ao nordeste. É possível percorrer esse desnível, até a parte baixa, por uma trilha de 3 km, saboreando a vista panorâmica do lugar. Mas se quiser chegar de carro até a parte de baixo, deve-se seguir até São Roque de Minas, saindo pela portaria do Parque, passar por Vargem Bonita e pelo povoado de São José do Barreiro, percorrendo 40 km.

Cachoeira dos Rolinhos, parte alta – A estrada que corta o Parque tem placa indicativa para a parte alta da Cachoeira dos Rolinhos. O trajeto de 10 km é cheio de belezas naturais, da flora à fauna, sendo mais propício a se deparar com tamanduá-bandeira, veado-campeiro e lobo-guará. Cachoeiras menores como a Colibri e várias piscinas naturais precedem à queda da Cachoeira dos Rolinhos, a maior da Serra da Canastra, mas impossível de ter acesso pela parte alta – o volume de água é grande, local perigoso, não se aconselhando fazer o passeio sem um guia local.


Centro de Visitantes – O Centro tem material impresso que oferece informações sobre o Parque e pontos turísticos, Possui auditório, exposição de fotos e painéis com dados sobre a fauna e flora.

Curral de Pedras – Tradição centenária local, são os muros de pedras empilhadas, sem massa de cimento, formando um curral com divisões para o manejo do gado. A visão do por do sol deste local é fantástica.


- OUTROS LOCAIS DE INTERESSE

São João Batista - O distrito de São João Batista dista 53 km de São Roque, ao lado da portaria 2 do Parque Nacional. Próximo encontra-se a Cachoeira do Jota, no rio das Velhas, depois que desce da Serra e vai formar o Araguari, na Bacia do Paraná. Tem área de Camping no local. Pode-se também chegar a São João Batista por Tapira, próximo a Araxá.

Capão Forro – Distante 5 km de São Roque, o Capão Forro representa um conjunto de cachoeiras e piscinas naturais, junto à serra. Tem área de camping e é muito visitado.

Cachoeira das Lavras - Localizada no paredão sul da Serra, numa região de antigos garimpos, daí o nome, tem mais de 100 metros de queda em rampa, com boas piscinas e duchas no final. Acesso difícil e trilha que exige de 2 a 3 horas de caminhada, o que deve ser feito com guia.

Cachoeira do Rolador – Outra área de cachoeira e piscinas naturais de pequena profundidade e livre acesso, inclusive para acampamento.

Cachoeira do Quilombo – O nome refere-se ao quilombo de negros que habitaram a região, localizada há 30 km de São Roque de Minas. A cachoeira tem mais de 100 metros de altura, 3 lances e várias piscinas naturais. Aconselha-se ir acompanhado de guia.

Cachoeira do Antonio Ricardo Também representa um conjunto de cachoeiras situado a 25 km de São Roque, onde há formação de um cânion com imensos paredões de pedra. O acesso se faz por trilha, caminhando cerca de 2 horas, acompanhado de guia. Mas vale a pena.

Cachoeira dos Rolinhos parte baixa – A mais alta das cachoeiras da Canastra, com cerca de 300 metros fica a 40 km de São Roque, por estrada só transitada sem riscos com veículos 4x4 e depois seguir por trilha com 2 horas de duração. Na descida do paredão, a queda de água se divide em várias, formando boas piscinas. Acesso difícil, devendo ser feito acompanhado com guia local.

Gruta do Tesouro – Localizada numa fazenda a 18 km de São Roque, próximo ao distrito de Sobradinho, é a maior gruta da região. Possui formações de estalactites e estalagmites com pequena cachoeira subterrânea. Vá em companhia de guia experiente e equipamento de segurança apropriado, evitando-se riscos.

Desemboque – Localizado no extremo oeste da Serra da Canastra, próximo à portaria 3 do parque, é o mais antigo povoado da região, marco da colonização do Brasil central. Fundado em 1743 quando se iniciou a construção da igreja de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, chegou a ter 1.500 habitantes no auge de garimpo de ouro. Hoje não tem mais que 100 moradores em cerca de 20 casas

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